Glênio Bianchetti


Glênio Alves Branco Bianchetti (Bagé, 15 de janeiro de 1928 - Brasília, 18 de fevereiro de 2014) foi um pintor, gravador, ilustrador e professor brasileiro. Considerado um dos mais artistas brasileiros da atualidade, Glênio Bianchetti guarda os títulos de gravador, pintor, ilustrador e professor.  Figura entre os pintores expressionistas de maior talento e originalidade, surgidos após a geração dos mestres da primeira fase do modernismo brasileiro.[1]  

Índice

Biografia


Nascido em 15 de janeiro de 1928, em Bagé, no Rio Grande do Sul, o descendente de imigrantes italianos Glènio Bianchetti inicia-se nas artes plásticas aos 16 anos de idade.  Sendo filho único de um comerciante, o pai, naturalmente, esperava que Glênio o sucedesse no negócio da família, uma padaria. Entretanto, durante uma reunião familiar, ainda aos 18, é declarada sua opção pela atividade artística, o que causa grande tumulto entre os parentes e amigos.  

Na decada de 40, sob a orientação de José Moraes, participa da criação do Grupo chamado de Bagé, com Clóvis Chagas e Glauco Rodrigues. Iniciou seus estudos artísticos em 1946 com o pintor e escultor brasileiro José Moraes, à época baseado em Bagé.[2] Em 1949, Bianchetti vai a Porto Alegre para estudar no Instituto de Belas Artes (hoje Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul), onde foi aluno de Iberê Camargo. Alternando períodos em Bagé e em Porto Alegre, completou a licenciatura em artes plásticas em 1954.[3]

A década de 50 é uma confirmação de sua carreira artística. Participa da fundação o Clube da Gravura de Porto Alegre, juntamente com Carlos Scliar, Vasco Prado, Danúbio Gonçalves e Glauco Rodrigues, onde se importa a parceria com gravadores mexicanos.  Destaca-se em várias funções, comando grande evolução na sua Em 53, assumir a direção do Setor Gráfico da Divisão de Cultura da Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul e, em 59, orienta cursos de gravura, no Instituto de Belas Artes de Porto Alegre.

Inicia a década de 60 como diretor do Museu de Arte do Rio Grande do Sul e, em 62, vem para Brasflia, a convite de Darcy Ribeiro, realiza o sonho de fundar na UnB, ao lado de importantes artistas e intelectuais.  

Além de contribuir para a estruturação do setor gráfico da Universidade de Brasília, dirige o ateller de pintura, até ser novamente pelo regime militar.  

Na década de 70, Glênio retoma suas atividades educativas e vê seu trabalho desfrutar de intensa projeção no exterior. Participa da criação do Museu de Arte de Brasília e inaugura o Centro de Reabilitação Criadora CRESÇA, junto com sua esposa, contribuindo para a formação de diversos artistas e educadores da cidade.  

Também neste período, em 1973, participa do Salão de Maio, em Paris e, em 78, tem uma de suas obras escolhidas para homenagear o presidente francês Giscard d'Estaing, em visita ao Brasil.  Nos anos 80, dedica-se à produção constante em diversas técnicas, alcançando enorme sucesso.  Seu engajamento político na campanha das Diretas Já e na campanha presidencial de 89 se faz presente em seus trabalhos, como no cartaz concebido por eleito para a constituição.  

Em 88 é finalmente reintegrado aos quadros da UnB e volta a lecionar. Em 94, é agraciado pelo Governador do Distrito Federal com a Medalha de Grão-Mestre e Comendador da Ordem do Mérito Cultural do DF.  Em 96 e 97, seus trabalhos integram a Mostra Itinerante Grupo de Bagé, dentro do projeto Resgatando a Memória, que contempla também as obras de Scliar, de Glauco Rodrigues e de Danúbio Gonçalves, lavrada no Rio Grande do Sul e em várias capitais do País.  Em 1998, recebe a Medalha Mérito Alvorada do Governo do Distrito Federal.  E em 99, fechando a década, Glênio é homenageado com a retrospectiva dos seus 50 anos de carreira no Palácio Itamaraty, em Brasília.  

Em 2004, é publicado o livro Glênio Bianchetti, de autoria de José Paulo Bertoni, e em março de 2010, é lançado o documentário Bianchetti, filme dirigido por Renato Barbieri, com 52 minutos de duração, sobre a sua trajetória artística.  

A extensa biografia de Glênio Bianchetti consagra uma personalidade genial nas artes, na educação e na cultura. Admirado e querido amigo, a quem aplaudimos carinhosa e reconhecidamente com uma pequena mostra retrospectiva do seu trabalho, pela sua importância no panorama artístico brasileiro e, sobretudo, por sua participação na construção da nova capital do País. 

Escola de gravura do Rio Grande do Sul


Bianchetti começou a ter seu trabalho conhecido na década de 1950, quando participou da fundação, em 1951, do Clube de Gravura de Bagé, ao lado de Glauco Rodrigues e Danúbio Gonçalves. No mesmo ano, com Carlos Scliar e Vasco Prado, fundou o Clube de Gravura de Porto Alegre, marcado por obras de caráter social. A obra de Bianchetti nesse período é dominada por xilogravuras com temas relacionados ao trabalho e aos costumes regionais do Rio Grande do Sul, fortemente inspiradas pelo expressionismo alemão.[4]

Em 1960, a convite do então governador gaúcho Leonel Brizola, assumiu a direção do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS), onde permaneceria por dois anos. Em paralelo, lecionou gravura na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Fundador da Universidade de Brasília


Em 1962, Bianchetti foi chamado por Darcy Ribeiro para integrar o corpo docente do curso de arquitetura da Universidade de Brasília. Foi o primeiro diretor do ateliê de artes plásticas e do setor gráfico da universidade. Após o golpe militar de 1964, foi preso por "subversão" e afastado da UnB, à qual seria reintegrado somente em 1988.[5]

Mesmo sem o vínculo com a universidade, Bianchetti decidiu radicar-se em Brasília, dedicando-se sobretudo à pintura e à tapeçaria. Colaborou com a criação do Museu de Arte de Brasília na década de 1970. Em 1999 foi homenageado com retrospectiva de 50 anos de carreira no Palácio Itamaraty.

Família


Casado com a também artista plástica Ailema de Bem, natural de Lavras do Sul, Bianchetti teve seis filhos, incluindo o pintor e professor brasiliense Lourenço de Bem.[6]

Morte


Por conta de uma hemorragia interna, causada por um cateterismo, Glênio morreu na noite de 18 de fevereiro de 2014. Ele foi transferido para o Hospital Santa Lúcia na Asa Sul (Brasília), após complicações no procedimento.

Referências


  1. da Silva Matta, Maurício (2010). Catálogo da exposição Glênio Bianchetti. Brasília, DF: Câmara dos Deputados - DEAPA 
  2. Enciclopédia Itaú Cultural
  3. Correio Braziliense, 19 de fevereiro de 2014
  4. Enciclopédia Itaú Cultural
  5. Associação dos Docentes da UnB
  6. «Diário de Santa Maria, 19 de fevereiro de 2014» . Consultado em 20 de fevereiro de 2014. Arquivado do original em 27 de fevereiro de 2014 

Ver também


Ligações externas











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Data da informação: 18.05.2021 02:08:27 CEST

Fonte: Wikipedia (Autores [História])    Licença: CC-BY-SA-3.0

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