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Guerra




 Nota: Para o filme dinamarquês, veja Krigen.

Guerra é um confronto sujeito a interesses da disputa entre dois ou mais grupos distintos de indivíduos mais ou menos organizados,[1] utilizando-se de armas para tentar derrotar o adversário. A guerra pode ocorrer entre países ou entre grupos menores como tribos ou facções políticas dentro do mesmo país (confronto interno). Em ambos os casos, pode-se ter a oposição dos grupos rivais isoladamente ou em conjunto. Neste último caso, tem-se a formação de aliança(s).

Diz-se guerra civil de um confronto que provoca uma onda de conflitos armados, programados ou planificados entre facções, partidos ou grupos de um mesmo povo, ou ainda a que ocorre entre povos ou etnias habitantes de um mesmo país. Expressões como "guerra econômica" e "guerra psicológica" designam também os confrontos diretos provocados pelos pequenos conflitos efervescentes, agudos com ações igualmente violentas mas sem o uso de armas, necessariamente. O confronto ou a guerra pode ter motivos religiosos, étnicos, ideológicos, econômicos, territoriais, de vingança, ou de posse (quando um grupo deseja algo do outro).

Índice

Tipos de guerras


Existem diferentes formas de classificação, sendo: segundo as causas, o desenvolvimento, a intensidade, a abrangência geográfica ou a estratégia e o tipo de armamento principal utilizado. Algumas guerras podem ser incluídas em mais de uma modalidade, quando se considera elementos como a escala geográfica ou a escala de intensidade do conflito, ou ainda as causas ou origem da conflagração. É sempre interessante notar que geralmente uma guerra possui várias causas, ou seja, causada por variáveis distintas mas simultâneas. Raramente uma guerra tem uma única causa. Porém, Sun Tzu, em seu tratado A Arte da Guerra, alerta que todas são de conquista.

Modalidades de guerra segundo a intensidade do confronto

Modalidades de guerra segundo a abrangência do conflito

Clausewitz dividia o estudo da Guerra em dois níveis, sendo o primeiro nível aquele da Guerra Total (virtual) e da Guerra Absoluta (forma de guerra total real ou possível), e o segundo nível, o da Guerra Regional, ou de delimitação de fronteiras.[6]

Considerando-se apenas a área de abrangência, as guerras modernas poderiam ser divididas em 3 níveis: Local, Regional e Global. Considerando-se simultaneamente a área geográfica de abrangência e a intensidade do confronto militar, pode-se dividir uma guerra em até 4 níveis: Guerra Mundial, Guerra Continental ou Guerra Inter-regional, Guerra Regional e Guerra Local Guerra Inter-regional[7][8][9]

Modalidades de guerra segundo a forma ou desenvolvimento do confronto

Modalidades de guerra segundo a causa do confronto bélico, ou causus belis

Modalidades de guerra segundo o tipo de armas estratégicas utilizadas

Motivações


Toda Guerra tem diversas causas, mas geralmente é possível identificar uma causa principal. Às vezes é difícil distinguir as causas reais de uma guerra, das justificativas e discursos adotados pelos atores envolvidos na guerra. As guerras totais geralmente envolvem várias das causas apresentadas a seguir, simultaneamente.

Dificuldades para analisar a complexidade cultural e social em determinados conflitos geraram alguns dos maiores desastres humanitários do século, como na Guerra Civil em Ruanda. Conflitos em que se usa a motivação étnica como justificativa são encontrados principalmente em países que foram colônias durante os séculos XIX e XX, onde o Estado Nacional ainda não se estruturou por completo nem há uma clara identidade nacional além dos laços familiares, de clãs ou étnicos.

Os conflitos no tempo


Ao longo da borda de uma lagoa seca no leste da África, pesquisadores descobriram o esqueleto do mais antigo exemplo conhecido de uma guerra em pequena escala. Em um ataque planejado, os atacantes mataram 12 caçadores-coletores em algum momento entre 9.500 e 10.500 anos atrás[26]

Alexandre, o Grande, ordenou que todos os seus soldados raspassem a cabeça e o rosto. Ele acreditava que a barba e cabelos longos poderiam facilitar a tentativa de uma degolada.

No Japão feudal, o exército Imperial tinha soldados especiais cuja única missão era contar o número de cabeças de inimigos cortadas em cada batalha, para fins matemáticos e estatísticos censitários - estratégicos.

A guerra mais rápida da história durou 37 minutos. Uma esquadra inglesa decidiu ancorar no porto de Zanzibar, na África, em 1896, para assistir a uma partida de críquete. O sultão de Zanzibar não gostou e mandou que seu único navio atacasse os ingleses. Quando o navio abriu fogo, os ingleses o afundaram rapidamente e ainda destruíram o palácio do sultão, matando quinhentos soldados. Zanzibar se rendeu na hora e o sultão fugiu para a Alemanha.

Guerras Mundiais 1914-1945

Guerras na Europa, com repercussões nas colônias.

Conflitos regulares, simétricos e político-econômicos. As raízes do primeiro conflito encontram-se nas disputas imperialistas do século XIX. Militarmente a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) não teve uma solução, o armistício foi assinado sem que houvesse uma vitória real de um dos lados do conflito. A Revolução Russa ocorre neste período, bem como a Crise de 1929 e o surgimento do Fascismo. Estes novos fatores somados a questões não resolvidas em 1918 levam à Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Na Primeira Guerra Mundial, canários e ratos foram usados como cobaias pelos aliados sempre que se cavava um túnel nas proximidades da linha dos inimigos. Era para detetar a presença de algum gás, principalmente o Gás Mostarda, devido à guerra química que se iniciava.

Guerra Fria 1945 – 1989/91

Europa: “coexistência pacífica”, as principais crises foram o Bloqueio de Berlim em 1948 e as intervenções da União Soviética na Tchecoslováquia e na Hungria.

Ásia e África: descolonização. Guerras contra os dominadores europeus e entre os grupos locais. Neste período ocorreram as guerras de independência ou descolonização, gerando conflitos de alta complexidade em que questões étnicas locais somam-se a fatores políticos e econômicos dentro de fronteiras artificiais traçadas por potências estrangeiras a partir do século XIX. Conflitos em geral irregulares e assimétricos. Exceções: Coreia, Índia e Paquistão, árabes e israelenses.

América: conflitos político-ideológicos, guerrilhas de esquerda contra os governos apoiados pelos EUA. Ditaduras militares ocorreram na maioria dos países.

Nova Ordem Mundial 1991 – Hoje

Pulverização dos conflitos pelo mundo.

Predomínio da guerra irregular e assimétrica.

Fragmentação da URSS e fim da Guerra Fria: nacionalismos étnicos dentro da Rússia, no Cáucaso e na Ásia Central.

Continuidade na África dos choques pós-descolonização, incluindo as questões étnicas.

Ondas de refugiados.

Aumento dos choques culturais Islã-Ocidente.

Aumento da presença militar dos EUA no mundo.

Intervenções dos EUA no Oriente Médio: fragmentação do Iraque e instabilidade regional ampliada.

Conflitos entre Estados e grupos autônomos. Israel e Hizbollah, Estados Unidos e TalibãAl Qaeda.

O fósforo branco, agente químico que faz pessoas se inflamarem ao contacto com o ar, continua sendo usado como arma até o dia de hoje mesmo por países desenvolvidos, apesar do Protocolo de Genebra.

Em 1969, eclodiu uma guerra entre El Salvador e Honduras durante um jogo eliminatório para Copa do Mundo de Futebol (a guerra do futebol) O lixo nuclear de usinas nucleares (urânio exaurido, uma substância mais densa que qualquer metal) pode ser usado para revestir mísseis e bombas. É usado em diversas armas recentes.[carece de fontes?]

Os conflitos no tempo de acordo com os níveis técnicos

Pré – 1914: Combate próximo, de fogo com mistura de armas e/ou cargas de baioneta. Uso de cavalaria para reconhecimento e eventuais cargas rápidas. Artilharia como apoio à tropa. No mar, grandes encouraçados e duelos de artilharia.

Guerras Mundiais 1914-1945: Início da mecanização da guerra, com o desenvolvimento de tanques de guerra e outros carros de combate.

A Primeira Guerra foi basicamente uma guerra de posições (trincheiras).

A Segunda Guerra foi uma guerra de manobras. O desenvolvimento dos veículos permitiu mais mobilidade, a força aérea iniciou os bombardeios estratégicos.

Apesar das diferenças táticas e tecnológicas, os conflitos foram bastante semelhantes, com muito contacto próximo.

Guerra Fria: Neste período, foram aperfeiçoadas diversas invenções da Segunda Guerra, tais como: mísseis balísticos, propulsão a jato, helicópteros e o armamento nuclear.

Os conflitos deste período apresentam grande variedade técnica. Países pobres ou grupos guerrilheiros utilizaram armamento pouco superior ao visto no período anterior. Armas leves, minas terrestres e técnicas de guerrilha foram comuns. Países ricos mantiveram seu arsenal atualizado e adaptaram suas táticas e estratégias aos novos armamentos disponíveis.

Televisão e satélites passaram a influenciar os conflitos. As imagens mobilizaram a opinião pública, os satélites revolucionaram a análise de dados e a captação de informações.

Nova ordem mundial: o colapso soviético gerou a desmobilização de diversos exércitos, mas também causou conflitos. Informática, armamento nuclear tático, mísseis e bombas "inteligentes" guiados por satélite, GPS ou laser passaram a ser usados para reduzir o custo humano entre os exércitos de países ricos. A tendência para estes países é abandonar os grandes contingentes visando a maior utilização das chamadas "tropas especiais" ou "tropas de elite". Estas tropas atuam em números menores, amplamente amparadas pela tecnologia e são treinadas especialmente para missões em guerras irregulares.

Para os países pobres, continuam valendo os níveis técnicos inferiores. Não há uma regra, conflitos podem ser travados com facções ou metralhadoras, mas raramente apresentam blindados, aviação e marinha. Tais elementos aparecem apenas em pequenas quantidades.

Questões humanitárias


Ver também: Polemologia

A Primeira Guerra Mundial matou 10 milhões de pessoas. A Segunda Guerra, mais 50 milhões. A Guerra Fria, outros 20 milhões. Segundo a ciência econômica convencional, a guerra desgasta a economia.[27]

A quantidade de conflitos e o grande desenvolvimento dos meios de comunicação no século XX permitiram sensibilizar populações de diversos países sobre os problemas ocorridos principalmente durante a Guerra Fria e nos anos que a seguiram. Missões de paz tornaram-se cena comum, apesar dos diversos problemas enfrentados.

Hoje, o principal produto das guerras, além da destruição, é o grande número de refugiados. A situação dos refugiados nos seus próprios países é precária e insegura.

Etimologia


O substantivo "guerra" deriva do vocábulo do frâncico werra, que significa "peleja".[28]

Ver também


Referências


  1. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 876.
  2. MARTINS, José M.Q. (2008). "Digitalização e guerra local: fatores do equilíbrio internacional" . Tese de Doutorado em Ciência Política, UFRGS, Porto Alegre, 2008. pg. 11-14.
  3. CHANDRAN, Suba (2005). "Limited War: Revisiting Kargil in the Indo-Pak Conflict". India Research Press: Nova Deli, India.
  4. CHANDRAN, Suba (2004). "Limited War with Pakistan: Will It Secure India’s Interests?" Arquivado em 5 de julho de 2010, no Wayback Machine.. ACDIS Occasional Paper. Program in Arms Control, Disarmament, and International Security (ACDIS), University of Illinois.
  5. CASTELLANO DA SILVA, Igor & SARAIVA, Fernando (2009). Ineficiência do Estado: o papel da guerra e dos recursos naturais na República Democrática do Congo. Revista Perspectiva, vol. 2, p. 27-46, Porto Alegre, RS.
  6. MARTINS, José M.Q. (2008). pg. 11-14, op. cit.
  7. MARTINS, José M.Q. (2008). op. cit.
  8. OLIVEIRA, Lucas K. (2009). "Segurança Energética no Atlântico Sul: Análise Comparada dos Conflitos e Disputas em Zonas Petrolíferas na América do Sul e África" [ligação inativa]. XXXIII Encontro da ANPOCS, Caxambu, MG.
  9. a b SEBBEN, Fernando D.O. (2007). Separatismo e Hipótese de Guerra Local na Bolívia: Possíveis Implicações para o Brasil. Monografia de Graduação em Relações Internacionais. UFRGS, Porto Alegre, 2008.
  10. OLIVEIRA, L.K.(2009) op. cit.
  11. ZIMERMAN, Artur (005). "Revisão bibliográfica da literatura quantitativa sobre os determinantes de guerra civil". BIB Revista Brasileira de Informação Bibliográfica em Ciências Sociais, São Paulo, v. 60, n. 2 semestre, p. 65-85.
  12. YLÖNEN, Aleksi (2005) "Sudan: Lo local, lo regional y lo internacional en los conflictos civiles" Arquivado em 21 de junho de 2010, no Wayback Machine.. Revista Pueblos, nº 18, p. 31-33, Setembro de 2005.
  13. CEPIK, Marco A. C. & OLIVEIRA, Lucas K. (2007) "Petróleo e Guerra Civil no Sudão" [ligação inativa]. Radar do Sistema Internacional, RSI. p. 1-6.
  14. CEPIK, Marco A. C. & OLIVEIRA, Lucas K. (2007) "Petróleo e Insurgência Armada na Nigéria" [ligação inativa]. Radar do Sistema Internacional, RSI, p. 1-11.
  15. SEBBEN, Fernando D. O. (2008) "Secessão Boliviana: Um Estudo de Caso sobre Conflito Regional". I Seminário Nacional de Ciência Política da UFRGS, 2008, Porto Alegre, RS. p. 1-22
  16. LIEBER, Keir A. & PRESS, Daryl G. (2006) "A ascensão da supremacia nuclear dos Estados Unidos". Revista Política Externa, v. 15, nº 1, jun/jul/ago, p. 47-56.
  17. CEPIK, Marco A. C; MARTINS, Jose Q. M. & ÁVILA, Fabrício S. (2008) "Segurança Internacional: Desafios para as Próximas Décadas na Esfera da Estratégia" Arquivado em 24 de julho de 2011, no Wayback Machine.. II Encontro Nacional da ABED.
  18. JESUS, Diego S.V. (2008) "Treze passos para o Juízo Final: A Nova Era do Desarmamento Nuclear dos Estados Unidos e da Rússia" Arquivado em 6 de julho de 2011, no Wayback Machine.. Revista Contexto Internacional, vol. 30, n.2, p. 399-466.
  19. AVILA, Fabrício S.; MARTINS, José Miguel & CEPIK, Marco(2009) "Armas estratégicas e poder no sistema internacional: o advento das armas de energia direta e seu impacto potencial sobre a guerra e a distribuição multipolar de capacidades" . Contexto Internacional, vol.31, n.1, p. 49-83.
  20. LIND, W. (2005) "Compreendendo as Guerras de Quarta geração" Arquivado em 22 de maio de 2011, no Wayback Machine.. Military Review (port.), pg. 12-17.
  21. Paul A. Smith. On political war. National Defense University Press, 1989, (em inglês) pág. 7. Adicionado em 23/06/2019.
  22. a b KLARE, Michael T. (2001) Resource Wars: The New Landscape of Global Conflict. Owl Books: Nova Iorque, EUA.
  23. GALVÃO, Denise L. Camatari (2005) "Conflitos armados e recursos naturais: as 'novas' guerras na África". Dissertação de Mestrado em Relações Internacionais. UnB, Brasília, DF. 215 p.
  24. GALVÃO, Denise L. C. (2007). "Diamantes de Sangue: o conflito armado em Serra Leoa" . InfoREL, 12/06/2007.
  25. ZIMERMAN, Artur (2006). Peguem a foice e vamos à luta: questões agrárias como determinantes do início de guerra civil, análise global, 1969-1997 . Tese de Doutorado em Ciência Política, USP, São Paulo, SP.
  26. Attack 10,000 years ago is earliest known act of warfare Hunter-gatherers’ skeletons show signs of being shot by arrows, clubbed and maybe even bound por BRUCE BOWER na "Science News"(2016)
  27. Why We Fight Wars The New York Times, 2014, Paul Krugman
  28. Verbete "guerra" da Infopédia

Bibliografia

Ligações externas


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Data da informação: 29.05.2020 08:03:26 CEST

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