Relações internacionais


As Relações Internacionais (abreviadas como RI ou REL) visam ao estudo sistemático das relações políticas, econômicas e sociais entre diferentes países cujos reflexos transcendam as fronteiras de um Estado, as empresas, tenham como locus o Sistema Internacional. Entre os atores internacionais, destacam-se os Estados , as empresas transnacionais, as organizações internacionais e as organizações não-governamentais. Pode se focar tanto na política externa de determinado Estado, quanto no conjunto estrutural das interações entre os atores internacionais.[1]

Além da ciência política, as Relações Internacionais mergulham em diversos campos como a Economia, a História, o Direito internacional, a Filosofia, a Geografia, a Sociologia, a Antropologia, a Psicologia e estudos culturais. Envolve uma cadeia de diversos assuntos incluindo mas não limitados a: globalização, soberania, sustentabilidade, proliferação nuclear, nacionalismo, desenvolvimento econômico, sistema financeiro, terrorismo/antiterrorismo, crime organizado, segurança humana, intervencionismo e direitos humanos.

Índice

Construção do campo de estudo


As Relações Internacionais surgem como um domínio teórico da Ciência Política no período imediatamente posterior à Primeira Guerra Mundial. Usualmente, se reporta ao Royal Institute of International Affairs,[2] fundado em 1920, o pioneirismo no estudo exclusivo às relações internacionais. No mesmo período, a London School of Economics inauguraria um Departamento de Relações Internacionais, que posteriormente seria importante para a construção de teorias da escola inglesa de relações internacionais. O primeiro programa de Doutorado em Relações Internacionais do Brasil foi criado em 2001 pela PUC-Rio.[3] Já o primeiro curso de Graduação em Relações Internacionais do Brasil foi criado em 1974, na Universidade de Brasília.[4]

Teoria


Posteriormente, desenvolver-se-iam estudos focados na ação estratégica dos Estados no intuito de conservarem e ampliarem seu poder, tendo como elemento empírico de análise essencialmente a ação diplomática e bélica dos países modernos. Esses fatores ganham relevância principalmente devido ao contexto histórico: os estudos que inauguram as R.I. como disciplina autônoma se dão durante a Guerra Fria, e seus teóricos mais eminentes dissertam em universidades americanas; de modo que o pensamento internacional daquela época refletia a doutrina política seguida pelo governo americano desses tempos. Denominou-se escola realista o grupo de acadêmicos que seguiu essa linha de pesquisa, e de Realismo sua concepção teórica. Desta corrente, destacam-se Kenneth Waltz e Hans Morgenthau.[5][6][7]

Mais a frente, com o desenvolvimento do capitalismo no mundo liberal, consequência da tendência que se firmara a partir da década de 1960 no então chamado "Primeiro Mundo" para a internacionalização dos fluxos de capitais rumo aos espaços econômicos periféricos; conjuntura que se configurava com a proeminência do capital americano na economia internacional, surgem teóricos que questionam a validade das concepções realistas sobre as relações políticas entre os Estados inseridos no sistema internacional, que, segundo estes, baseava-se fundamentalmente na anarquia.

Esses teóricos, que viriam a ser denominados membros da escola liberal, alegavam que a crescente interdependência econômica entre os países, potencializada pelos avanços tecnológicos das telecomunicações, tornariam cada vez mais dispendioso o conflito. Os liberais indicavam a progressiva consolidação de regimes jurídicos internacionais, por meio das organizações supranacionais, bem como o aumento — considerado por eles irreversível — da autonomia de atores transnacionais — notadamente as empresas multinacionais — como fatores empíricos de uma inflexão no modus operandi do sistema internacional. Destacam-se desta escola teórica Robert Keohane e Joseph Nye.[8][9]

O Liberalismo e o Realismo consolidaram-se, ao longo das décadas do século XX, como as principais correntes teóricas nos estudos internacionais. Ambas as correntes derivariam novos debates, a partir da revisão de seus conceitos em novos quadros analíticos. Nos anos 1980, originar-se-iam dessas discussões as correntes neorrealista e neoliberal.[carece de fontes?]

Novos temas e perspectivas


Para além dessas visões sobre a teoria internacional, têm surgido uma variedade de novas temáticas nos estudos internacionais, que abordam desde questões já consolidadas em outros campos do saber — como a Economia Política Internacional — a questões consideradas totalmente novas, surgindo uma revisão completa de paradigmas — como as questões ambientais e feministas, por exemplo. Muitas dessas novas discussões se pautam em conceitos e categorias de análise alternativos àqueles empregados tradicionalmente nos debates da mainstream.[10]

A revisão da teoria marxista tem estado bastante presente no ramo "heterodoxo" da teoria econômica política das relações internacionais (assim como o neoclassicismo econômico nos desenvolvimentos "ortodoxos" da mesma, especialmente na figura de Charles Kindleberger e seus trabalhos sobre a Teoria da estabilidade hegemônica — por aparentemente contraditório que seja pensar em "Economia Política" e "Neoclassicismo") e, de uma maneira mais eclética, nas investigações ambientalistas.

Ensino no Brasil


O primeiro curso de RI surgiu na Universidade de Brasília em 1969 e multiplicou-se lentamente ao longo das três décadas seguintes, entretanto o número de cursos saltou de 21 em 1999 para 97 em 2009. devido a demanda da sociedade precisar cada vez mais de profissionais internacionalistas com o surgimento das organizações não governamentais, o avanço da Globalização e dos meios de comunicação e também ao crescimento econômico do Brasil. O curso é um bacharel de formação científica híbrida adotando disciplinas de Direito, História e Administração, além das próprias disciplinas acerca do comércio internacional.[carece de fontes?]

As disciplinas comuns incluem teoria geral da administração, teoria das relações internacionais, história vestefaliana, ciência jurídica, direito penal internacional, teoria dos jogos, desenvolvimento sustentável, empreendedorismo, estatística, direito internacional marítimo, organizações terroristas e piratas, gestão de políticas públicas, teoria geral do estado, seguridade pública, inclusão social, direito do consumidor, direito privado, comércio internacional, microeconomia, macroeconomia, contabilidade, gestão por competências, gestão de pessoas, psicologia do trabalho, filosofia clássica, ética, antropologia cultural, receita tributária, sociologia das organizações, história nacional, marxismo e liberalismo económico.[11] Além de simulados de concursos de autarquias como Agência Brasileira de Inteligência, Ministério das Relações Exteriores e Receita Federal. [carece de fontes?]

Em 2016, 103 instituições públicas e privadas mantinham graduação em Relações internacionais localizadas em apenas vinte unidades federativas; sendo 82 cursos abertos apenas a partir de 2000 e 69 cursos concentrados apenas em cinco estados: São Paulo (30) Rio Grande do Sul (14), Rio de Janeiro (12), Minas Gerais (7) e Distrito Federal (6).[12] De acordo com o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes em divergência com o ranking do jornal Folha de S.Paulo os dez melhores cursos do país em 2018 foram da USP, UFRJ, PUC SP, ESPM, UFRGS, UNB, UFMG, PUC-Rio, PUC-Minas, UNESP, UFF, UFSC e FACAMP. Já de acordo com o Ranking Universitário Folha, a USP detém a categoria de melhor curso do país desde o ano em que o curso passou a ser avaliado, em 2013[13].

Ver também


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Referências


  1. ARON 1984
  2. CHANTHAM HOUSE. «About the Chantam House» (em inglês) 
  3. «Histórico» . Instituto de Relações Internacionais - PUC-Rio (em inglês). Consultado em 7 de dezembro de 2017 
  4. «iREL, uma tradição» . Instituto de Relações Internacionais. 18 de outubro de 2013 
  5. HALLIDAY 1999
  6. WALTZ 2004
  7. MORGENTHAU 2005
  8. NYE 2002
  9. NYE
  10. CERVO 2001
  11. «Relações Internacionais | Guia do Estudante» . Guia do Estudante. 9 de junho de 2012 
  12. «Relações Internacionais - Ranking de Cursos - Ranking Universitário Folha - 2016» . ruf.folha.uol.com.br. Consultado em 25 de novembro de 2016 
  13. «Relações Internacionais - Ranking de Cursos - Ranking Universitário Folha - 2014» . ruf.folha.uol.com.br. Consultado em 15 de junho de 2021 

Bibliografia


  • ARON, Raymond (1984). Paix et guerre entre las Nations (em francês). Paris: Calman-Lévy. ISBN 2-702-13469-6 
  • HALLIDAY, Fred (1999). Repensando as Relações Internacionais. Porto Alegre: UFRGS. ISBN 8-570-25947-6. OCLC 685248813  
  • JACKSON, R.; SORENSEN, G. (2007). Introdução às Relações Internacionais. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. ISBN 8-571-10968-0. OCLC 800522036  
  • ARENAL, Celestino del. (2002). Introducción a las Relaciones Internacionales (em espanhol) 3. rev. ampl. ed. Madrid: Tecnos. ISBN 8-430-91032-8. OCLC 12422391  
  • MOREIRA, Adriano (1996). Teoria das Relações Internacionais. Coimbra: Livraria Almedina. ISBN 9-724-02700-7 
  • MORGENTHAU, Hans (1975). Politcs among Nations. Nova Iorque: Alfred Knopf 
  • MORGENTHAU, Hans; Kenneth Thompson, David Clinton (2005). Politcs among Nations (em inglês). [S.l.]: McGraw-Hill Education. ISBN 0-072-89539-X 
  • ROCHA, Antonio. J. R. (2002). Relações Internacionais: Teorias e Agendas. Brasília: IBRI / Funag. ISBN 85-88270-09-9 
  • NYE, Joseph (2002). Compreender os conflitos internacionais. Lisboa: Gradiva 
  • NYE, Joseph; Tiago Araújo, Henrique Lajes Ribeiro, Eda Lyra. Compreender os conflitos internacionais: uma introdução à teoria e à história. [S.l.]: GRADIVA. ISBN 9-726-62845-8 
  • WALTZ, Kenneth (2004). O homem, o Estado e a guerra. São Paulo: Martins Fontes. ISBN 8-533-61950-2 
  • António José Fernandes (1984). Os conflitos internacionais. [S.l.]: Correio do Minho. OCLC 13008965  
  • Henrique Altemani de Oliveira e Antônio Carlos Lessa. Relações Internacionais do Brasil Temas e Agendas. [S.l.: s.n.] 
    • Volume I, ISBN 8-502-06042-2
    • Volume II, ISBN 8-502-06040-6
  • Ricardo Seitenfus (2004). Relações internacionais. [S.l.]: Manole Ltda. ISBN 8-520-41981-X 
  • CERVO, Amado Luiz (2001). Relações internacionais da América Latina: velhos e novos paradigmas. [S.l.]: IBRI. ISBN 8-588-27005-6 
  • Odete Maria de Oliveira, Arno Dal Ri Júnior (2003). Relações internacionais: interdependência e sociedade global. [S.l.]: Unijuí. ISBN 8-574-29360-1 
  • José Flávio Sombra Saraiva (2001). Relações internacionais: dois séculos de história. [S.l.]: IBRI 
    • Volume I, ISBN 8-588-27002-1
    • Volume II, ISBN 8-588-27003-X
  • J. Thorndike, “Geopolitics: The Lurid Career of a Scientific System which a Briton Invented, the Germans Used, and the Americans Need to Study,” Life, 21 December 1942.











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Data da informação: 11.09.2021 09:03:38 CEST

Fonte: Wikipedia (Autores [História])    Licença: CC-BY-SA-3.0

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