Segunda vinda de Cristo


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Segunda vinda de Cristo, Segundo Advento ou Parúsia (do grego Παρουσία, "presença") é um termo usualmente empregado com a significação religiosa de volta gloriosa de Jesus Cristo, no Fim dos tempos, para presidir o Juízo Final, conforme creem as várias religiões cristãs e muçulmanas, inclusive sincréticas e esotéricas.

As especificidades sobre o tema são definidas individualmente por cada religião ou expressão religiosa, conforme a sua crença, com pontos semelhantes e não tão semelhantes.

Índice

Terminologia


O termo parousia, oriundo do grego, quer dizer simplesmente "presença". Na época helenística, entretanto, ele tomou o sentido técnico de visita de um príncipe ou de manifestação de um Deus.

Visão religiosa


Visão cristã

Os cristãos usam uma variedade de nomes para o evento da segunda vinda (retorno) de Jesus Cristo, com base em uma série de imagens bíblicas. No Livro de Zacarias

«Então sairá o Senhor e pelejará contra essas nações, como quando pelejou no dia da batalha. Naquele dia estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; o monte de Oliveiras será fendido pelo meio para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale mui grande; uma metade do monte se removerá para o norte, e a outra metade para o sul. Pelo vale dos meus montes, pois o vale dos montes se estenderá até Azel; sim, fugireis, como fugistes de diante do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá: virá o Senhor meu Deus, e todos os santos contigo.» (Zacarias 14:3-5)

Definições


Nesse período de mil anos de governo de Cristo sobre a terra, satanás ficará preso ( Ap 20.2), onde ele não exercerá sua influência maligna sobre as pessoas.

Outros cristãos interpretam os eventos mencionados nas escrituras cristãs como descrições de acontecimentos reais no nosso futuro (vede Futurismo). Outros interpretam-nos simbolicamente e outros referem-se a eles como eventos que já ocorreram (vede Preterismo).

Significados


No Novo Testamento, a Parousia significa um período de presença de Jesus como Rei do Reino de Deus antes da Grande Tribulação que terminará com o julgamento dos vivos e os mortos, tal como plasmado no Juízo Final, e assim estabelecer formalmente e gloriosamente o reino de Deus também na terra dando assim início ao Reino Milenar na terra.

Segundo Bauer Danker a Segunda Vinda "(…) de Cristo e de seu advento messiânico se dará em glória para julgar o mundo ao final desta época."

O próprio Salvador não só anuncia o evento, mas representa graficamente as suas circunstâncias (Mateus 24:27) e o Julgamento das Nações (Mateus 25:31-46). Os Apóstolos dão um lugar destacado para esta doutrina na sua pregação (Atos 10:42), assim como as epístolas (Romanos 2:5-16; Romanos 14:10; I Coríntios 4:5; II Coríntios 5:10; II Timóteo 4:1; II Tessalonicenses 1:5; Tiago 5:7).

Preterismo e Futurismo


Escatologia cristã
Diferenças escatológicas
Portal do cristianismo

A posição teológica que associa a expectativa da Segunda Vinda de Cristo com os eventos testemunhados pelos primeiros cristãos tais como a diáspora, a destruição de Jerusalém e do templo judeu em 70 d.C. é conhecido como Preterismo. Segundo o historiador Charles Freeman, os primeiros cristãos esperavam a volta de Jesus dentro de no máximo uma geração após sua morte.

Este conceito opõe-se ao Futurismo que considera a volta de Jesus como um evento histórico a se concretizar no futuro.

Estudiosos ortodoxos tendem a considerar os dois conceitos como verdadeiros, ou seja, um reino espiritual que foi realmente introduzido por Jesus Cristo em Sua primeira vinda (no sentido de que o rei esteve presente, mas que as promessas literais do reino não foram cumpridas) e de um acontecimento escatológico futuro, ainda por vir onde haverá a concretização e o estabelecimento do Reino de Deus.

Católicos e Ortodoxos


Segundo as tradições Católicas e cristãs Ortodoxas a segunda vinda será um incidente repentino e inconfundível, como "um relâmpago" (Mateus 24:27). Uma breve referência à segunda vinda está contida no Credo Niceno Constantinopolitano: "Ele [Jesus] virá novamente em glória para julgar os vivos e os mortos, e seu reino não terá fim."

Principais religiões


As diversas denominações têm opiniões divergentes sobre os detalhes exatos da segunda vinda de Cristo. Uma parcela significativa acredita que antes do julgamento ocorrerá um evento conhecido como arrebatamento, evento esse que ocorrerá para salvamento dos membros de sua Igreja (invisível). Um traço comum é a crença de que depois desse arrebatamento, Jesus voltará para julgar o mundo e estabelecer o reino de Deus sobre a Terra (cumprindo a Profecia feita ao rei Davi). Geralmente as Igrejas Protestantes não oferecem previsões sobre a data da segunda vinda, embora alguns teólogos e escritores divulguem suas próprias idéias de como e onde isso vai acontecer.

Parousía (presença)

As denominações principais costumam ter interpretações distintas acerca da parousía. As doutrinas das principais correntes são:

Mórmons

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias tem interpretações distintas e específicas, acreditando que Cristo não virá salvá-los e enfim levar os crentes ao céu, mas que Cristo virá para estabelecer seu reino aqui na terra.

Testemunhas de Jeová

Testemunhas de Jeová não usam o termo segunda vinda. Eles usam o termo „presença“ traduzindo corretamente e fielmente a palavra original do grego koiné „parousia“. A escatologia das Testemunhas de Jeová afirmam que no ano de 1914 teve início a presença de Cristo com o início do "tempo do fim" e "da conclusão do sistema de coisas" (Mt 13:40-49 , 24:3) e dos "últimos dias" (2 Tm 3:01, 2 Pedro 3:3).

As Testemunhas de Jeová usam esse termo para se referirem a esse período entre 1914 e o Armageddon. Também creem que o Armageddon começa antes do Milênio.


Ciência Cristã

A Ciência Cristã entende que a vinda do Cristo é espiritual, perpétua, eterna e sempre presente. Segundo o livro Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, de Mary Baker Eddy, "Esse despertar é a perpétua vinda do Cristo, o aparecimento mais adiantado da Verdade, que expulsa o erro e cura os doentes. Essa é a salvação que vem por meio de Deus, o Princípio divino, o Amor, como Jesus demonstrou." (pag. 230).

Esoterismo


Emanuel Swedenborg, cientista e teólogo do século XVIII descreveu a Segunda Vinda do Senhor, como "a abertura do significado mais profundo da Palavra". Jesus havia predito que eles iriam ver "o Filho do homem vindo sobre as nuvens do Céu "[Mt . 24:30] mas isso deveria ser interpretado segundo Swedenborg como um evento espiritual, não um evento físico. Em outras palavras, Jesus realmente iria voltar , mas não na carne. Em vez disso Ele voltaria em espírito através da revelação do significado esotérico de sua Palavra - a Bíblia. Em outras palavras, assim como o sol físico pode romper a escuridão das nuvens física, o significado profundo da Palavra também pode brilhar através do sentido literal da Bíblia. Sempre que isso acontece para um indivíduo, há uma experiência da Segunda Vinda do Senhor. O Senhor (Jesus Cristo) veio novamente através da sua Palavra, com "poder e grande glória".

No Rosacrucianismo os escritos de Max Heindel, fazem uma distinção entre Jesus, o homem, e o Cristo, sua verdadeira natureza divina (Nestorianismo). Jesus é considerado um elevado Iniciado (que evolui no âmbito do ciclo de renascimentos e encarnações) a um tipo singular de espírito puro, vastamente superior à grande maioria da humanidade atual. Ele foi educado durante a sua juventude entre os essênios e, assim, preparou-se para a maior honra concedida a um ser humano: entregar o seu corpo no momento do Batismo para o Cristo exercer seu ministério no mundo físico. Cristo é descrito como o Ser espiritual mais elevado da hierarquia dos Arcanjos, e completou a sua união com o segundo aspecto de Deus chamado Cristo (Gnosticismo).

Segundo essa tradição, o Cristo Interno e não o Jesus histórico é considerado o verdadeiro Salvador que precisa nascer dentro de cada indivíduo a fim de fazer o ser humano evoluir para o sexto e futuro Período da Terra, onde o Planeta Terra será elevado ao plano etérico, ou seja, em direção ao "novos céus e uma nova terra". A Segunda Vinda e Advento do Cristo não será em um corpo físico, mas nos novos corpos e almas de cada indivíduo na Região Etérica do Planeta onde o homem "será arrebatado nas nuvens ao encontro do Senhor nos ares." O "dia e hora" em que se dará esse evento, como descrito na Bíblia, não é do conhecimento humano. A tradição esotérica Cristã ensina que primeiro haverá um período de transição e preparação que se iniciará quando o Sol entrar em Aquário por precessão: o Advento da Nova Era ou Era de Aquarius.

Teosofia


Em janeiro de 1946 a teósofa Alice Bailey profetizou que Cristo (que é conhecido pelos teosofistas como a Maitreya) iria retornar "em algum momento após 2025 d.C.". Os seguidores do guru Benjamin Creme, acreditam que Maitreya está presente na Terra desde 1977, vivendo em segredo. Este futuro evento é chamado o "Dia da Declaração", isto é, quando Maitreya telepaticamente se revelará a humanidade através de seu aparecimento na televisão em todo o mundo (este evento foi originalmente previsto e deveria ocorrer em 21 de junho de 1982).

Antroposofia


O Antropósofo Rudolf Steiner previu que Cristo reapareceria no etérico espiritual em 1930.

Judaísmo


O Judaísmo rejeita o status de Jesus como Messias judeu e, portanto, a ideia de sua segunda vinda. A maioria dos judeus acredita que Jesus cumpriu apenas algumas profecias messiânicas específicas.

Islã


Os muçulmanos acreditam que Jesus vai voltar em um momento perto do fim do mundo. O verso do Alcorão que alude a futura vinda de Jesus é a seguinte:

"E (Jesus) será um sinal (para a vinda) da Hora (do Juízo): portanto, não têm dúvida sobre a (Hora), mas siga-me vós: este é um reto caminho." [Alcorão 43:61]. Segundo a tradição islâmica, a descendência de Jesus estará no meio de guerras travadas pelos Mahdi ("O bem encaminhado"), conhecido na escatologia islâmica como o redentor do Islão, contra o Anticristo (Al-ad-Dajjal Masīkh, o Anticristo) e seus seguidores. Jesus vai descer a leste de Damasco, vestido com trajes amarelos. Ele então se juntará ao Mahdi em sua guerra contra o Dajjal. Jesus, considerado no Islamismo como um muçulmano, divulgará os ensinamentos islâmicos. Por fim, Jesus matará o Dajjal, e então todos do povo do livro (al-kitābahl- referindo-se aos judeus e cristãos) acreditarão nele. Assim, haverá uma só religião: o Islamismo.

"A Hora não será estabelecida até o filho de Maria (Jesus), descer entre vocês como um governante justo, ele vai quebrar a cruz, matar os porcos e abolirá o imposto Jizya. Após a morte do Mahdi, Jesus assume a liderança. Este é um tempo na narrativa associada islâmico com paz e justiça universal."

O Movimento Ahmadia acredita que o Mahdi já chegou no espírito de Jesus, cumprindo assim a Segunda Vinda na pessoa de Mirza Ghulam Ahmad (1835-1908).

Hinduísmo


Alguns hindus adotaram Jesus como um avatar (encarnação de Deus).

Paramahansa Yogananda, o autor de Autobiografia de um Iogue, fez um extenso comentário sobre o Evangelho publicado em dois volumes, onde trata da Segunda Vinda de Cristo. Para Yogananda, a Segunda Vinda ocorrerá quando a ressurreição de Cristo acontecer dentro de cada pessoa. O livro oferece uma interpretação mística da Segunda Vinda que é entendida como uma experiência interior, algo que ocorre dentro do coração do indivíduo.

A religião hindu vê o tempo como cíclico, com quatro ciclos (yugas) que se repetem eternamente. A idade atual, ou Kali Yuga é a pior de todas as idades. A Kali Yuga começou há cerca de 5 000 anos, e vai durar mais 427 000 anos. Para dar fim a Kali Yuga, Deus virá sob a forma de Kalki, um avatar montado em um cavalo branco que acabará com os ímpios e iniciará uma nova Idade de Ouro (Satya Yuga).

Visão cética


Céticos do cristianismo entendem que palavras atribuídas ao próprio Jesus nos evangelhos e diversas menções feitas nos demais livros do Novo Testamento demonstram que a Segunda Vinda de Jesus era um evento que deveria ser testemunhado pela primeira geração de cristãos, devendo ter ocorrido em algum momento entre os séculos I e II D.C. O segundo advento caracteriza-se, portanto, como uma profecia falha, que não se cumpriu, refutando a suposta divindade de Jesus.[2][3]

O rabino David Wolpe acredita que a expectativa da Segunda Vinda teria surgido como resultado da deceção dos primeiros cristãos como uma forma de compensar a morte de Jesus e a perspetiva frustrada da redenção.[4]

Previsões


Referências


  1. «1 Tessalonicenses 4»  
  2. «"Por que não sou cristão" (Bertrand Russell)» . Consultado em 16 de setembro de 2010 
  3. «"A profecia não cumprida do segundo advento"» . Consultado em 16 de setembro de 2010 
  4. «"Why Jews Don't Accept Jesus" (David Wolpe) (em inglês)» . Consultado em 16 de setembro de 2010 
  5. Jean Stiegler; DOZULÉ - The ultimate message of Christ. 88 pp. Editions Résiac, France.
  6. Father Jean Baptiste Manceaux; DOZULÉ - The Glorious Return of the Son of Man. Les Nouvelles Editions Latines, Paris.
  7. Jean Stiegler; Prayers in Dozulé. 48 pp. Editions Résiac, France.

Ver também


O Wikcionário tem o verbete Parusia.









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Data da informação: 12.09.2021 03:11:55 CEST

Fonte: Wikipedia (Autores [História])    Licença: CC-BY-SA-3.0

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