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Terra Santa




 Nota: Para outros significados, veja Terra Santa (desambiguação).

A Terra Santa (hebraico: אֶרֶץ הַקּוֹדֶשׁ Eretz HaKodesh, latim: Terræ Sanctæ; árabe: الأرض المقدسة Al-Arḍ Al-Muqaddasah) é uma área localizada entre o rio Jordão e o mar mediterrâneo, atualmente dividida entre Israel, Cisjordânia e Jordânia.[1] É chamada terra santa devido ao seu valor histórico para as três grandes religiões monoteístas do mundo: cristianismo,[2] judaísmo e islamismo.[3] Por essa razão é considerado como o centro espiritual do mundo.[4]

Judaísmo

Para os judeus, a Terra Santa é conhecida como a Terra Prometida por Deus à Abraão (Gen 12:1-3). A chegada do povo à Palestina se dá por volta do ano 1800 a.C.[5]

Cristianismo

Para os cristãos, o local é sagrado pois é onde, segundo os Evangelhos, nasceu, viveu, morreu e ressuscitou Jesus Cristo. Do ponto de vista turístico, os cristãos são os que mais visitam o local.[6]

Islamismo

A Terra Santa também é um local sagrado para os muçulmanos pois, além das menções da região no Alcorão, foi onde, segundo a tradição muçulmana, ocorreu a ascensão de Maomé aos céus.[7]

Atualmente a região conta com o cuidado e dedicação dos Franciscanos, que habitam a região desde 1230,[8] através da Custódia da Terra Santa,[9] designados desde 21 de novembro de 1342, conforme bula do Papa Clemente VI para cuidar da lugares sagrados cristãos da Terra Santa.[10][11] Recebem também a ajuda de voluntários de todo o mundo,[12] bem como da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém.[13]

Índice

História


O mais remoto vestígio de ser humano encontrado na região são ossos de 1,4 milhão de anos, ainda na Idade da Pedra, quando comunidades viviam nas cavernas à margem de rios da região. A partir do surgimento da agricultura e da domesticação de animais (por volta do ano 8.000 a.C.), os povos começam a edificar vilarejos e cidades, deixando de viver como nômades. Com o passar dos séculos, os vilarejos passam a se tornar cidades que passam a se tornar impérios (a partir do ano 4.000 a.C.). É a partir desse momento, que algumas evidências arqueológicas e paleoantropológicas começam a coincidir com os relatos bíblicos.[5]

Cerca do ano 1000 a.C., de acordo com a cronologia bíblica, a cidade cananeia de Jebus foi conquistada pelo rei Davi, sendo renomeada como Jerusalém, e escolhida como capital do reino unido de Israel. Acredita-se que o monte Moriá, onde Abraão iria oferecer seu filho, Isaque, em sacrifício a Deus (cerca de 2000 a.C.), corresponde aproximadamente ao local onde o primeiro templo judaico veio a ser edificado mil anos depois pelo filho de Davi, isto é, no monte Sião em Jerusalém; o Templo de Salomão seria destruído quatro séculos mais tarde, no ano de 586 a.C. pelos babilônios.[7] Setenta anos depois, com o retorno dos judeus exilados a Jerusalém, sob a liderança de Zorobabel, um novo templo seria edificado no lugar do antigo.

O marco do calendário ocidental, chamado de calendário gregoriano, ocorre na região, tomando como referência o nascimento de Jesus Cristo, ocorrido em Belém da Judeia.

Nos primeiros séculos da era Cristã, o local era ocupado por judeus e, sobretudo, por pagãos que pregavam suas adorações aos deuses Júpiter, Adônis e Vênus.[14] Por volta do século III e IV, sob a égide do imperador Constantino, os romanos retomam a região, e dão fim aos cultos pagãos em locais sagrados para o cristianismo e expulsam uma parte dos judeus,[15] com a finalidade de encontrar os lugares por onde Jesus teria passado, como, por exemplo, o túmulo onde foi sepultado, descoberto pela mãe do imperador, Helena de Constantinopla, entre os anos 327 e 329.[10] A partir de então, a região torna-se um centro de peregrinação para cristãos.

Em 614 a região é tomada pelos persas, sendo tomada pelos bizantinos em 628.[16]

Por volta do século VII, segundo a tradição islâmica, mais precisamente em 16 de julho de 622, Maomé foge da cidade de Meca para Medina dando início à era muçulmana.[17] Com sua morte por envenenamento, em 8 de junho de 632, Maomé teria subido aos céus e, a partir de então, muçulmanos passam também a ver a região como santa.[7] E sob a condução do sogro de Maomé, Abacar, os muçulmanos dão continuidade à conquistas territoriais já realizadas por aquele, o que inclui a Terra Santa, a partir de 637.[18]

Em 1074, o imperador do Império bizantino requer ajuda ocidental ao Papa para retomar a Terra Santa dos árabes. O atendimento ao pedido demorou vinte anos. Em agosto de 1096, tem início a primeira partida de cavaleiros para auxiliar no restauro da Terra Santa aos cristãos, que viria se chamar Primeira Cruzada. Tal comitiva chegou em Jerusalém em julho de 1099.[19] Em 1187, a região é retomada pelos árabes, comandados por Saladino e novas cruzadas iriam ocorrer pelos séculos vindouros.

Para proteger os lugares santos do cristianismo, foram criadas diversas ordens de cavalaria, em especial, a Ordem do Santo Sepulcro que foi, e continua sendo até os dias atuais, uma das instituições responsáveis pela manutenção das obras históricas da Terra Santa, assim como da assistência aos cristãos residentes na região, através de escolas e hospitais, além do amparo e recepção aos peregrinos.[13][20]

Conflitos atuais


Apesar de todo o histórico das cruzadas, os lugares sagrados cristãos já estavam bem protegidos de uma possível depredação muçulmana, até pelo motivo que, para o islamismo, a figura de Jesus é respeitada como o sendo o segundo profeta de Deus (Maomé é o primeiro).

Contudo, no final do século XIX, em 1897, surge o sionismo, movimento judeu determinado a retomar Israel, ao menos os lugares considerados sagrados para o judaísmo. Têm-se então, uma migração em massa à Palestina. Em 14 de maio de 1948, contra a vontade dos árabes, o estado de Israel proclama sua independência.[15] Em 1967, a ONU emite a Resolução 242 obrigando Israel a se retirar das áreas invadidas na chamada Guerra dos Seis Dias, não sendo acatada.[21] A propositura da paz passa pela criação de um estado palestino. Contudo, até os dias atuais, nem israelenses, nem palestinos abdicaram de determinados termos para que tal medida seja implementada.

Turismo


A Terra Santa é um dos principais pontos de turismo a nível mundial.[22][6] Recebendo visitas não só de religiosos, mas até mesmo de povos que, histórica e tradicionalmente, possuem pouco contato com as religiões acima mencionadas, como por exemplo, chineses.[23] Entre os principais pontos turísticos, os chamados lugares santos, mais visitados estão:[24]

Referências


  1. Terra Santa é opção para quem gosta de história e religião . Portal Terra.
  2. «Remnants From Ancient Church Unearthed in Gaza by Construction Workers» . Haaretz (em inglês). 5 de abril de 2016 
  3. Balter, Michael (2009). «Holy Land» . National Geographic 
  4. a b Globo Repórter refaz os caminhos de Jesus Cristo na Terra Santa . Globo.
  5. a b Gomes, Laurentino; Ludovico, Osmar (2015). O caminho do peregrino: Seguindo os passos de Jesus na Terra Santa. São Paulo: Globo. ISBN 9788525061539 
  6. a b Terra Santa registra número recorde de turistas no final do ano . Canção Nova.
  7. a b c Carrilho, Pedro (17 de maio de 2007). «Terra Santa: Jerusalém narra quase 40 séculos de história.» . Folha de São Paulo 
  8. O Arquivo Histórico da Custódia da Terra Santa . Christian Media Center
  9. Paolucci, Conrado. (10 de maio de 2014).Por que a Terra Santa é custódia franciscana? . Aleteia
  10. a b Especial Santo Sepulcro . Christian Media Center
  11. Conheça o novo Custódio da Terra Santa . Rádio Vaticano.
  12. Voluntários com os franciscanos da Terra Santa . Comissariado da Terra Santa
  13. a b Pinchiari, Marcos R. (16 de junho de 2012). «Ordem do Santo Sepulcro de Jerusalém» . Folha do ABC 
  14. Michaud, Joseph F. (1956). História das Cruzadas. São Paulo: Editora das Américas. p. 9 
  15. a b Entenda os conflitos entre Israel e Palestina . Globo
  16. Pernoud, Régine (1993). A mulher no tempo das cruzadas. Campinas: Papirus. p. 31. ISBN 9788530802295 
  17. Hoje na História: 632 - Morre em Medina profeta Maomé . Portal Uol.
  18. Michaud, 1956, p. 21
  19. Pernoud, 1993, pp. 19-20.
  20. Coimbra, Álvaro V. (1963). «Ordens militares de cavalaria de Portugal» . Revista de História (USP). 26: 21-33. ISSN 2316-9141 . doi:10.11606/issn.2316-9141.rh.1963.121849  
  21. The 1967 and 1973 wars . Página oficial da Organização das Nações Unidas.
  22. Terra Santa espera número recorde de turistas . Estadão.
  23. Aumenta notavelmente a presença de peregrinos chineses na Terra Santa . - Gaudium Press
  24. Lugares Santos . Comissariado Terra Santa.
  25. O socorro da Gruta da Anunciação . Comissariado Terra Santa.
  26. An hour of adoration during the pilgrimage to Jerusalem . Página oficial da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém.
  27. Romey, Kristin (31 de outubro de 2016). «Unsealing of Christ's Reputed Tomb Turns Up New Revelations» . National Geographic 

Ver também


Ligações externas










Categorias: Geografia de Israel | Geografia da Palestina | Lugares bíblicos | Geografia da religião








Data da informação: 29.05.2020 11:12:35 CEST

Fonte: Wikipedia (Autores [História])    Licença: CC-by-sa-3.0

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